quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O Problema Não É Ele, É Você - Christie Hartman




"O Problema Não É Ele, É Você" é um livro de autoajuda, que parece ter sido escrito sob medida para uma protagonista de filme de comédia romântica. Christie Hartman usa de uma linguagem por vezes informal, por vezes simulando a acadêmica (Hartman tem um Pós-Doutorado em Genética do comportamento, título que realmente não é para ser ignorado), tendo como público alvo a menina insegura que quer, quer muito que o namoro dê certo, mas não consegue por mais que tente. O objetivo do livro é mostrar como certos comportamentos e tabus explícitos no primeiro encontro podem já manchar o início de uma relação e como isso vai se desenvolvendo negativamente, impedindo o florescimento de um relacionamento saudável independente de quão gentil ou canalha é o parceiro.
De fato, muitas mulheres ainda são inseguras e reprimidas desde cedo,o que pode levar à uma imagem distante da realidade de como deve ser um relacionamento. Mas, falando aqui como um homem: meninas, imagino que você já saiba, e se não sabe, lamento informar: até uma certa idade, grande parte dos homens querem só uma namoradinha pra depois contar detalhes dos pelos pubianos e odor vaginal para os amigos. Sublinho aqui que não são todos, e não necessariamente todos os que fazem o fazem por falta de caráter(alguns são inseguros e cedem às pressões dos amigos mesmo, que são abertamente contra namoricos e chamam para a zuera 100 limites o tempo todo), mas é algo que acontece muito. E não importa a imagem de mulher segura que você passe, com um homem babaca, 'segura' é sinônimo de 'essa libera o behind'. Então sim, para um relacionamento maduro, você tem que fazer sua parte (isso é, 50%) e para uma relação passar adiante, não é com média 5.
Um dos pontos positivos do livro é que não mais outra obra de autoajuda feita por um acadêmico que usa de sua autoridade intelectual para passar para frente um bando de lugar-comum e moralismo ultrapassado e nocivo(como por exemplo, não faça isso, não faça aquilo, não dá cedo, e até, PASMEM, não transe até antes do casamento). O livro faz bem em tentar destruir tabus falsos que não levam a lugar algum e só criam neurose e barreiras para o pleno aproveitamento de um momento que deveria ser exclusivamente de relaxamento e prazer-os primeiros encontros- ao invés de tentar botar mais 'regrinhas' e desconforto. No entanto, é importante ressaltar que o homem brasileiro é muito, mas muito mais machista que o homem americano médio (especialmente ao considerar que a autora mora e foi criada no Colorado, estado que o próprio povo votou e aprovou o casamento gay e a descriminalização da maconha), então infelizmente uma imagem de mulher segura será frequentemente mais mal-interpretada por um homem idiota que acha certo fazer o diabo na cama com uma amante e não com a namorada, porque 'minha namorada não é puta'.
Enfim, pegando carona na quebra de tabus que o livro pretende, eu ofereço uma nova interpretação para você, mulher brasileira: seja segura de si, não fique neurótica com coisas ofensivamente simples, se você perceber que o cara só quer transar (e você só quiser isso), aproveita, e, quando você achar um cara que te passe segurança, que te respeite e que te dê autonomia, seja a mulher segura que o livro recomenda que você seja. Mas, embora aconteça o contrário, lembre que o problema as vezes é ele.